Sábado, 14 de março de 2026

Postado às 08h45 | 14 Mar 2026 | redação Álvaro Dias: 'Existe boa expectativa de que Ezequiel venha reforçar o nosso grupo'

Em entrevista ao Cafezinho com César Santos, o pré-candidato a governador fala sobre a possibilidade de ter o apoio do presidente da Assembleia Legislativa. Álvaro Dias também prevê que a governadora Fátima não renunciará ao cargo para ser candidata

Crédito da foto: Jornal de Fato Pré-candidato a governador Álvaro Dias no Cafezinho com César Santos

O pré-candidato a governador Álvaro Dias afirma que a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte será polarizada entre a direita, representada por ele, e um nome apoiado pela esquerda, que é o atual secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT). Por gravidade, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), não passaria para o segundo turno.

“Entendo que na polarização não cabe a terceira via. Disse isso na eleição de Natal em 2024 e aconteceu, e agora estou afirmando o mesmo em relação ao estado”, afirma durante o “Cafezinho com César Santos” na sede do Jornal de Fato, em Mossoró.

Álvaro Dias, que já exerceu os mandatos de deputado estadual, deputado federal e prefeito de Natal, acredita que chegou o momento de conquistar o poder estadual. “Já temos o apoio de mais de 90 prefeitos e prefeitas”, revelou, empolgado.

Acompanhado do pré-candidato a vice-governador, Babá Pereira, Álvaro Dias confirmou que sairá do Republicanos para o PL; falou sobre a possibilidade de ter o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira; e disse que não acredita que a governadora Fátima Bezerra (PT) renunciará ao cargo para ser candidata à senadora, descartando, dessa forma, a possibilidade de eleição indireta.

Confira a entrevista:

Vou direto ao ponto: o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, vai apoiar a sua candidatura a governador? Há um entendimento fechado nesse sentido?

Ezequiel está conversando com o senador Rogério Marinho, que é quem está conduzindo a articulação para trazê-lo para o nosso grupo político, e eu acredito que exista uma boa expectativa de que ele venha integrar o nosso grupo e apoiar nossa candidatura, mas, ao que me consta, é um assunto ainda sem definição.

 

Essa possibilidade passa por uma travessia partidária, ou seja, ele pode sair do PSDB para assumir o Republicanos no Rio Grande do Norte?

Pode, sim. Ele está formando uma nominata de candidatos a deputado estadual. Como presidente da Assembleia Legislativa, tem um bom relacionamento com os deputados e realmente possui um grupo que acompanha suas decisões e filiação partidária. Segundo soube, ele está analisando a possibilidade de sair do PSDB e integrar outro partido político, levando ao seu lado uma nominata de deputados estaduais, com vários nomes com os quais ele vem dialogando, conversando e negociando para fazerem parte do seu projeto político.

 

O senhor hoje é presidente do Republicanos. Nesse processo que ainda está sendo discutido, Ezequiel iria para o Republicanos e o senhor sairia para o PL? O lançamento da chapa no dia 21 marcaria sua filiação ao Partido Liberal?

O senador Rogério Marinho me convidou para integrar o PL, o Partido Liberal. É um partido com o qual me identifico, que tem uma postura clara e definida de direita aqui no Rio Grande do Norte e no Brasil, e esse é realmente o meu pensamento. Acho que hoje, principalmente no momento atual, ninguém suporta mais o desgoverno do PT que foi implantado aqui no Rio Grande do Norte. A professora Fátima Bezerra decepcionou muito. Imagine que, depois de quase oito anos de governo, ela não tem sequer uma obra para apresentar à população do Rio Grande do Norte. Antes ela dizia que não fazia obras porque era adversária do Governo Federal. Hoje o presidente da República é seu aliado incondicional e, mesmo assim, não há respostas para nada aqui no nosso estado.

A possibilidade de eleição indireta, com a eventual renúncia da governadora Fátima Bezerra e do vice-governador Walter Alves, tem movimentado os bastidores da sucessão estadual. O seu grupo está preparando um nome para disputar o chamado “governo-tampão”?

Eu não acredito em mandato-tampão porque acho que a governadora Fátima Bezerra vai cumprir o seu mandato na íntegra. Na minha avaliação, ela não deverá ser candidata a nenhum cargo eletivo na eleição deste ano, portanto, não terá necessidade de renunciar. Como, na minha opinião, ela vai permanecer, não paro para pensar, nem para analisar, quem seria um nome do nosso grupo para disputar uma eventual eleição indireta.

 

O empresário Flávio Rocha disse essa semana que gostaria de ser candidato ao Senado ao seu lado, juntamente com o senador Styvenson Valentim. Ainda há espaço, ou a chapa está completa com o Coronel Hélio?

A segunda vaga de senador estava em discussão, mas agora Rogério Marinho definitivamente conversou com o Coronel Hélio e empenhou a sua palavra. Então, se Rogério deu a sua palavra para o Coronel Hélio, essa questão está definida. Então, os nossos candidatos ao Senado serão Styvenson e o Coronel Hélio.

 

O senhor concluiu sua gestão na Prefeitura de Natal com 65% de aprovação popular e fez o sucessor, o atual prefeito Paulinho Freire. Essa gestão será o “case” da sua campanha para o restante do Rio Grande do Norte?

Nós temos realmente um grande orgulho de ter encerrado a nossa gestão com uma aprovação popular importante como essa ao fim da nossa segunda gestão na Prefeitura de Natal. Deixamos obras importantes que marcaram a nossa administração e que hoje são praticamente um portfólio do que realizamos na cidade. Realizamos a engorda da praia de Ponta Negra, salvando o Morro do Careca, aumentando a faixa de areia em 50 metros na maré cheia e 100 metros na maré seca. Revitalizamos os empregos, os hotéis e os empreendimentos privados protegidos à beira-mar; a avenida Erivan França nunca mais foi agredida ou destruída pelo avanço da maré. Foi uma obra que marcou a nossa gestão. Temos o Hospital Municipal, com a primeira etapa concluída. Entregamos 2.500 apartamentos para pessoas de baixa renda. Criamos também o Programa Asfalto Novo, com investimento de 120 milhões de reais, recapeando as principais avenidas de Natal, como Floriano Peixoto, Mipibu, Deodoro, Hermes da Fonseca, Amintas Barros, Caboclinho, Joana e tantas outras. Natal voltou a ter uma malha viária digna para que as pessoas possam trafegar com tranquilidade. Uma obra importante nesse sentido foi a avenida Felizardo Moura, com investimento de 40 milhões de reais. Temos muita coisa para mostrar porque fizemos uma gestão competente e vitoriosa.

Em entrevista recente o senhor disse que um eventual segundo turno seria disputado entre o senhor e um candidato do governo. Nesse caso, sobraria o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, embora ele apareça bem nas pesquisas. Essa é uma aposta na polarização entre direita x esquerda, lulismo x bolsonarismo, trazendo a disputa nacional para o plano estadual?

Veja bem: não é uma aposta, é uma certeza. Eu dizia, na eleição municipal de Natal em 2024, que o segundo turno seria polarizado entre esquerda e direita, com a candidatura de Paulinho Freire, que nós apoiamos, e a candidatura de Natália Bonavides, apoiada pelo PT. Na época, Carlos Eduardo tinha mais de 50% de preferência popular, e muitas pessoas achavam estranho quando eu dizia isso. Como eu poderia afirmar algo assim com ele liderando mais de quarenta pesquisas? Mas foi exatamente o que aconteceu. Carlos Eduardo terminou sem ir sequer para o segundo turno, e Paulinho Freire acabou eleito prefeito de Natal pela grande aprovação que tivemos e pela transferência de votos, que aglutinou em torno dele os candidatos e a preferência popular da direita. Acredito que agora acontecerá algo semelhante na eleição estadual: haverá uma aglutinação de votos da direita em torno de um candidato e da esquerda em torno de outro, representado por Cadu Xavier, que tem o apoio do PT, do presidente Lula e da governadora Fátima Bezerra. Portanto, será novamente uma eleição polarizada. Eu não acredito em terceira via, assim como não acreditava na eleição de Natal.

 

Mas o fato de Allyson Bezerra ser prefeito de Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do estado, e cidade que influencia toda a região Oeste, não muda esse cenário?

Carlos Eduardo foi quatro vezes prefeito da cidade de Natal. Não existe uma ressonância política maior do que essa para alguém que governou a capital quatro vezes. Mesmo assim, com a polarização, ele terminou ficando fora do segundo turno. Pela experiência que tive e pela previsão que fiz, que acabou se confirmando, acredito que ocorrerá o mesmo na eleição para o Governo do Estado. É uma opinião que muitos podem duvidar, como duvidaram em Natal, mas que terminou se confirmando. Continuo acreditando nessa possibilidade.

 

O senhor tem forte influência eleitoral em Natal e na região metropolitana. No restante do estado, esse papel será exercido pelo seu vice, Babá Pereira?

Temos mantido contatos ininterruptos com prefeitos do interior, contando com uma participação decisiva do nosso candidato a vice-governador. Hoje já temos mais de 90 prefeitos confirmados ao nosso lado, serrando fileiras e nos apoiando nessa empreitada que vamos enfrentar em breve.

O prefeito de Mossoró é alvo de investigação da Polícia Federal em um caso de suposto desvio de recursos da saúde. O senhor crê que essa situação pode tirar Allyson Bezerra da disputa? Ou senhor tem dificuldade de comentar esse tema?

Eu prefiro não comentar essa pergunta. Essa análise deve ser feita pelo próprio Allyson e respondida por ele. Quanto à minha avaliação, prefiro não fazer.

 

O senhor será candidato pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em outra ocasião o senhor disse que não se considera um bolsonarista, mas um político com ideias de direita. Essa posição está mantida?

Não tenho dificuldade nenhuma de assumir o que penso e as ideias que defendo. O problema é que não gosto de rótulos como “bolsonarista”, “esquerdista”, “direitista” ou “lulista”. Tenho uma posição clara de direita. Sou muito grato ao presidente Bolsonaro, que me ajudou em um dos momentos mais difíceis da minha vida, quando enfrentávamos a pandemia na cidade de Natal. A governadora Fátima e o Governo do Estado não cumpriram a obrigação de abrir um hospital de campanha e eu tive de abrir às pressas uma unidade para atender pacientes com coronavírus de todo o Rio Grande do Norte e até de outros estados. O presidente Bolsonaro me recebeu duas vezes no Palácio do Planalto e disponibilizou recursos para que abríssemos e equipássemos o hospital de campanha, com medicamentos e profissionais preparados para tratar a doença. Isso nos ajudou a salvar milhares de vidas no estado. Tenho essa gratidão ao presidente Bolsonaro e faço questão de lembrar, além das muitas obras realizadas com recursos federais naquele período.

Mossoró é o segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. Como a cidade se encaixa na sua campanha a governador?

Mossoró é uma cidade pujante, com um comércio muito representativo e um grande potencial econômico. A região tem uma forte indústria salineira, produção de petróleo, energia solar e eólica, além da fruticultura irrigada, com produção de melão e outras frutas de alta qualidade voltadas para o mercado nacional e para exportação. Por isso, Mossoró terá toda a atenção de um futuro governo e será prioridade da nossa gestão, especialmente na área da saúde, que será um dos focos principais do nosso governo. Como médico e gestor público, acredito que a saúde deve ser prioridade em qualquer administração.

 

De forma concreta, o que Mossoró ganharia se o senhor fosse eleito governador do Rio Grande do Norte?

Nós estamos abraçando essa ideia de governar o Rio Grande do Norte e Mossoró, por sua importância, terá um olhar especial. Podemos fazer algo semelhante do que fizemos na cidade de Natal. Quando assumimos a prefeitura, Natal era uma cidade parada, estagnada. Mudamos o Plano Diretor e Natal voltou a crescer e a se desenvolver. Hoje há quatro bilhões de reais sendo investidos na cidade, com mais de 150 novos empreendimentos e mais de 30 mil empregos gerados só na construção civil com essas obras que antes não podiam ser realizadas. Natal voltou a crescer, a se desenvolver e é hoje outra cidade, muito mais moderna, bonita, agradável, tranquila e boa de se viver, com as mudanças que implementamos. Fizemos isso em Natal, temos condições e vamos fazer também por Mossoró e pelo Rio Grande do Norte.

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