Sábado, 11 de julho de 2026

Postado às 15h00 | 11 jul 2026 | redação Nina: 'Não é nenhum absurdo a expectativa de o PL eleger quatro deputados federais

Primeira-dama de Natal, Nina Souza, é um dos nomes mais competitivos à Câmara Federal na eleição deste ano. Em entrevista ao Cafezinho com César Santos, a pré-candidata disse que o PL tem capacidade de eleger quatro deputados e fez outras projeções

Crédito da foto: Jornal de Fato Nina Souza no Cafezinho com César Santos

Por César Santos / Jornal de Fato

A primeira-dama de Natal, Nina Souza (PL), é um dos nomes mais competitivos à Câmara dos Deputados na eleição deste ano. Não pelo fato de ser casada com o prefeito Paulinho Freire, sem desmerecer a importância do gestor na campanha eleitoral, mas por sua própria história política, iniciada bem antes do matrimônio com Paulinho.

Natural de Monte Alegre, município da região Agreste, cumpre o terceiro mandato na Câmara Municipal de Natal. A sua primeira eleição, em 2016, com 2.289 votos, vestindo a camisa do PEN (hoje Patriotas), foi fruto da sua atuação por políticas públicas com destaque para as pautas sociais. Ela ainda não era casada com Paulinho Freire. Em 2020, já filiada ao PDT, foi reeleita com 3.852 votos; e em 2024, pelo União Brasil, conquistou o terceiro mandato com 6.127 votos.

Advogada e professora da rede estadual de ensino, além de mestre em Educação pela UFRN, Nina assumiu a Secretaria de Trabalho e Assistência Social de Natal no primeiro ano da gestão Paulinho, retomando o mandato na Câmara em março deste ano e agora está determinada a dar o salto na carreira política se elegendo deputada federal.

Nesta sexta-feira, 10, Nina Souza tomou o “Cafezinho com César Santos” na sede do Jornal de Fato. Na entrevista, falou sobre a sua trajetória política, projetou que o PL poderá eleger até quatro deputados federais, defendeu o municipalismo e fez críticas às políticas sociais dos governos do PT. Confira:

A nominata do PL à Câmara dos Deputados é considerada bastante competitiva. O partido já conta com três deputados federais e reúne outros nomes fortes para a disputa. Na sua avaliação, qual é a expectativa do PL para esta eleição?

Primeiro gostaria de saudar a população de Mossoró. Agradeço a gentileza e o carinho dos meus amigos daqui. Acho que Deus tem sido muito generoso comigo, porque o grupo que me apoia em Mossoró se transformou em uma grande família. Quero cumprimentar Tony Fernandes (ex-vereador), Jailson Nogueira (vereador), Wiginis (vereador), Edson Carlos (ex-vereador), a irmã Zemir, a ex-governadora Rosalba Ciarlini, que também é uma apoiadora da nossa pré-candidatura, e estender o abraço a todo o povo mossoroense, uma terra pela qual tenho muito carinho e onde conquistei grandes amizades.

 

Certo, mas vamos repetir a pergunta: o PL, elegerá quantos deputados federais?

Diante do cenário atual, acredito que não é nenhum absurdo trabalharmos com a expectativa de eleger quatro deputados federais. A nossa nominata é muito forte. Temos três deputados federais com relevantes serviços prestados ao Rio Grande do Norte. Temos também a minha pré-candidatura, que vem ganhando densidade em todas as regiões do Estado. Além disso, contamos com Juninho Saia Rodada (ex-prefeito de Caraúbas), que chega muito forte; com o Cabo Deyvison, um jovem vereador de Mossoró que vem consolidando sua candidatura; com o coronel Brilhante, que possui importantes serviços prestados, especialmente na região Oeste; e com Gabi Trajano, uma jovem muito inteligente, que tem principal base eleitoral na região Metropolitana de Natal, onde foi candidata à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante. É uma chapa extremamente competitiva. Além disso, temos uma nominata estadual igualmente forte e uma legenda, o 22, que por si só possui grande força eleitoral. Por isso, acredito que a possibilidade de elegermos quatro deputados federais é bastante real.

Muito se fala sobre uma possível disputa entre a senhora e a deputada federal Natália Bonavides para definir quem será a deputada mais votada do Rio Grande do Norte. Existe realmente essa disputa?

Olha, eu não tenho esse sentimento. Sempre fui muito transparente em relação aos meus posicionamentos. Eles são completamente diferentes dos defendidos pela deputada Natália Bonavides. Representamos campos ideológicos distintos e também formas diferentes de fazer política. Eu costumo dizer que minha atuação política está diretamente ligada à minha prática. Procuro transformar em ações aquilo que defendo no discurso. Já em relação à deputada, com todo o respeito que ela merece, são oito anos de mandato na Câmara Federal e eu não consigo identificar grandes obras estruturantes ou intervenções significativas que tenham beneficiado o Rio Grande do Norte.

 

Mas esse embate pode polarizar a disputa e beneficiar as duas candidaturas, a senhora não acha?

Sinceramente, esse não é um embate que me interessa. Estou muito focada no nosso trabalho. Não tenho a preocupação de ser a candidata mais votada. Meu objetivo é conquistar uma vaga na Câmara Federal. Na nossa nominata existem vários candidatos fortes, todos com condições de obter uma excelente votação. Portanto, essa disputa por protagonismo não me pertence. Estou concentrada no trabalho coletivo que estamos realizando.

As velhas oligarquias políticas perderam espaço e influência ao longo dos anos. No entanto, a chamada nova política, muitas vezes, acaba reproduzindo práticas antigas, como o lançamento de familiares para cargos eletivos. A senhora é esposa do prefeito de Natal, Paulinho Freire. Esse contexto aproxima sua trajetória da chamada velha política?

Não. Minha história é completamente diferente. Sou filha do interior do Rio Grande do Norte, de Monte Alegre, na região Agreste. Comecei a trabalhar aos 16 anos para ajudar minha mãe, que era separada e criava sozinha quatro filhos — três homens e eu, a mais velha. Desde muito cedo assumi responsabilidades dentro de casa, inclusive para custear minhas passagens quando estudava em Natal. Casei muito jovem e, aos 21 anos, já era mãe de três filhos. Precisei conciliar trabalho, estudo e família. Hoje tenho meus três filhos formados, quatro netos e uma trajetória consolidada de 32 anos de serviço público. Sou professora, mestre em Educação, advogada e servidora concursada. Fui eleita vereadora de Natal em 2016. Meu relacionamento com Paulinho Freire começou apenas em 2018. Ou seja, eu já exercia mandato parlamentar antes mesmo de iniciarmos nossa relação. Ao longo desses anos consolidei meu trabalho. Sou reconhecida por ser uma parlamentar presente, atuante, comprometida e responsável com aquilo que faço.

 

Ok. Mas as pessoas fazem essa relação familiar com a política...

Vejo essa situação por outro ângulo. Paulinho faz algo muito importante ao acreditar na capacidade da própria esposa. Ele poderia apoiar qualquer outro nome: um vereador aliado, um irmão, um sobrinho ou até um filho, que já tem idade para disputar uma eleição. Mas escolheu caminhar ao meu lado porque conhece minha competência, meu compromisso e sabe que estou preparada para representar o Rio Grande do Norte na Câmara Federal. Portanto, estamos muito distantes desse conceito de oligarquia. Também faço uma ressalva. Valorizo muito a história e não gosto de colocar todas as famílias tradicionais dentro de uma mesma classificação. Existem famílias que deixaram um legado importante para o Rio Grande do Norte. Aqui em Mossoró, por exemplo, a família Rosado teve uma contribuição inegável para o desenvolvimento da cidade. Independentemente das divergências políticas, houve avanços importantes.

O ex-deputado estadual Kelps Lima, que recentemente retirou sua pré-candidatura à Câmara Federal, fez duras críticas à bancada federal do Rio Grande do Norte, classificando-a como "fraca e irrelevante". A senhora compartilha dessa avaliação?

Eu não gosto desse tipo de adjetivação. Prefiro dizer que, caso seja eleita, minha forma de atuar será diferente. Na minha visão, o deputado federal não pode se limitar a ser apenas um destinador de emendas parlamentares. Ele precisa ser um articulador, alguém que conheça profundamente as necessidades das regiões, elabore um planejamento estratégico e trabalhe por soluções coletivas, em vez de ações isoladas. Hoje vemos uma fragmentação muito grande. Destina-se uma emenda para um equipamento em um município, outra para outro município, e, no final, fica a pergunta: qual foi o legado efetivamente construído para aquela região?

 

A solução é a mudança no perfil da bancada federal potiguar?

Precisamos ter representantes capazes de enfrentar os grandes problemas nacionais. Vou citar um exemplo: o pacto federativo. Na minha avaliação, ele sufoca os municípios. Costumo usar a teoria do triângulo invertido. Mais de 50% da arrecadação tributária fica com a União. Os estados recebem pouco mais de 20%, enquanto os municípios ficam com algo entre 15% e 17%. Entretanto, é justamente nos municípios que estão os maiores desafios: saúde, educação, iluminação pública, limpeza urbana, cultura, esporte, lazer. É o prefeito, junto com os vereadores, quem precisa resolver tudo isso, mas com uma parcela muito pequena dos recursos. Os prefeitos acabam dependendo das emendas parlamentares para conseguir executar ações importantes. Se houvesse uma redistribuição mais equilibrada desses recursos, os municípios poderiam se planejar melhor e promover um desenvolvimento regional mais consistente. Infelizmente, essa discussão quase não acontece. Enquanto isso, o debate político se resume, muitas vezes, à polarização entre grupos, enquanto problemas gravíssimos continuam crescendo: insegurança pública, fortalecimento das facções criminosas, pobreza e abandono da agricultura. É dessa forma que penso. Se Deus permitir e o povo do Rio Grande do Norte me conceder essa oportunidade, pretendo atuar de maneira diferente. Mas não gosto de rotular ou adjetivar ninguém.

O discurso do municipalismo está presente em praticamente todas as campanhas eleitorais. Muitos candidatos prometem defender os municípios, mas ao chegarem a Brasília, acabam adotando outra postura. Como a senhora pretende agir caso seja eleita?

Essa observação é muito verdadeira. Muitos utilizam esse discurso apenas durante a campanha. Mas eu sou vereadora, e todo vereador conhece de perto a realidade das pessoas. Entre todos os cargos políticos, talvez seja o mais acessível. É quem recebe o cidadão na porta de casa, na farmácia, na padaria, no campo de futebol. É quem escuta as reclamações diariamente e conhece de perto as dores da população. Essa experiência me deu uma compreensão muito concreta da realidade. Tenho 32 anos de serviço público e aprendi muito ao longo dessa caminhada. Também aprendi que fama, poder e apelidos passam. Basta observar quantos grandes políticos, que um dia pareciam intocáveis, hoje sequer são lembrados. Por isso, não quero sair da minha casa para ir a Brasília apenas para ocupar um cargo. Quero fazer exatamente aquilo que estou me comprometendo a realizar. Naturalmente, preciso que a população me dê essa oportunidade. Mas acredito que meu passado e minha trajetória ajudam a explicar por que tantas pessoas caminham ao meu lado. Elas conhecem meu trabalho. Muitos me chamam de "trator", justamente porque sabem que sou determinada, comprometida e extremamente trabalhadora. As pessoas podem até não gostar de mim, mas dificilmente alguém dirá que eu não trabalho. E acredito que isso diz muito sobre quem eu sou.

 

A senhora esteve à frente da Secretaria Municipal do Trabalho e da Assistência Social de Natal no primeiro ano da gestão do prefeito Paulinho Freire. Ao deixar o cargo, fez críticas aos governos do PT, afirmando que eles pouco avançaram na área social. No entanto, programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Vale Gás são reconhecidos nacionalmente como importantes políticas sociais. Como a senhora avalia esses programas?

Olha, deixe-me lhe dizer uma coisa. Minha formação é na área da Pedagogia, depois cursei Direito, e a vida sempre foi um grande aprendizado. Costumo dizer que Deus é muito generoso comigo porque esses 15 meses à frente da Secretaria Municipal do Trabalho e da Assistência Social fizeram com que eu enxergasse uma realidade que eu ainda não conhecia em profundidade. Quando observamos a assistência social de fora, conhecemos um CRAS, um CREAS ou uma unidade de acolhimento, mas não compreendemos toda a complexidade dessa política pública. A Assistência Social é estruturada em três grandes eixos: trabalho e emprego, proteção social — que engloba os CRAS, CREAS e acolhimentos — e segurança alimentar. Quando assumimos a secretaria, encontramos uma estrutura bastante precária. Em apenas 15 meses, afirmo, sem receio, que realizamos, junto com nossa equipe, um trabalho que muitos não conseguiram fazer em dez anos. Recebemos uma rede com 45 imóveis alugados e iniciamos uma política voltada à construção de equipamentos próprios, obedecendo a todos os critérios legais, para oferecer um atendimento mais estruturado e permanente.

Mas onde entra a crítica à política social dos governos do PT?

Calma que eu chego lá. Hoje está sendo construída a Cidade Social, um equipamento que considero o maior e mais moderno do Brasil na área da Assistência Social. É um projeto inédito, resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Natal, o senador Styvenson Valentim e nossa equipe, com investimento de aproximadamente R$ 15 milhões, em uma área de 10 mil metros quadrados, na Zona Norte. Também iniciamos a construção de centros de convivência, promovemos reformas em unidades do CRAS e do CREAS e implantamos a carreira do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), uma conquista histórica para os servidores da área. Natal possui mais de 800 servidores efetivos da assistência social beneficiados por essa carreira. Enquanto isso, no Governo do Estado, grande parte dos profissionais continua atuando como bolsista. Até hoje, durante os oito anos da governadora Fátima Bezerra, não foi realizado concurso público para a Assistência Social. Essa é uma realidade que precisa ser discutida.

 

Ok, vamos a nossa pergunta...

Respondendo objetivamente à sua pergunta, durante todo o período em que estive na secretaria não recebemos recursos do Governo Federal ou do Governo do Estado para aquisição de alimentos ou manutenção das ações da assistência. O único recurso repassado é o IGD, relacionado ao Bolsa Família, destinado à gestão do programa. Mesmo assim, trata-se de um recurso bastante engessado. O município precisa utilizá-lo dentro de regras muito específicas, sob pena de perder parte dos repasses. Não há liberdade para planejamento financeiro de médio e longo prazo. Quero deixar claro que considero o Bolsa Família um programa importante. Jamais negaria isso. Mas acredito que toda política pública precisa ter começo, meio e fim. O programa deve proteger quem precisa, mas também criar condições para que essas pessoas possam conquistar autonomia por meio do trabalho. O trabalho devolve dignidade às pessoas. E mais do que isso: ele inspira. Quando um filho vê o pai ou a mãe trabalhando, conquistando uma casa melhor, comprando um eletrodoméstico, uma motocicleta ou qualquer outro bem fruto do próprio esforço, ele passa a sonhar também. Nós somos movidos por sonhos. Por isso, defendo programas de transferência de renda, mas também políticas públicas que promovam qualificação profissional, geração de emprego e oportunidades para que as famílias possam construir sua independência financeira.

Em entrevista recente, o pré-candidato Álvaro Dias afirmou acreditar que a disputa pelo Governo do Estado será decidida entre ele e Cadu Xavier, considerando que a polarização entre lulismo e bolsonarismo deixaria um terceiro nome fora do segundo turno, no caso, Allyson Bezerra. A senhora compartilha dessa avaliação?

E quem não acredita? Estou percorrendo o Rio Grande do Norte diariamente, de domingo a domingo, conversando com as pessoas em Natal e nos mais diversos municípios. Em todos os lugares percebo que o eleitor quer clareza. As pessoas não querem mais ser enganadas. Querem saber qual é o posicionamento de cada candidato, tanto para presidente da República quanto para governador. Quando a campanha começar oficialmente, com rádio, televisão e as atividades de rua, esse cenário ficará ainda mais evidente. Hoje o eleitor quer saber quem cada candidato apoia. Mesmo que ele não concorde com aquela posição, ele deseja transparência. Se alguém disser que vota em Bolsonaro, por exemplo, pode até haver quem discorde, mas pelo menos existe clareza. O eleitor não gosta de candidatos que tentam esconder seu posicionamento.

 

Pode se repetir o que aconteceu em Natal na eleição de 2024, quando o favorito Carlos Eduardo ficou fora do 2º turno porque não assumiu uma posição entre direita e esquerda?

Acredito que isso terá influência direta na eleição. Lembro da campanha de 2014, quando Robinson Faria disputou o Governo do Estado. Na época, o então presidente Lula (PT) apareceu na propaganda eleitoral ao lado dele, e aquilo produziu um impacto enorme junto ao eleitorado. Agora não será diferente. Não podemos negar que Lula e Bolsonaro continuam sendo, hoje, as duas maiores lideranças políticas do país. Independentemente de quem tenha mais força em determinado momento, ambos exercem grande influência sobre o eleitorado. Por isso, quem estiver claramente vinculado a um desses dois campos políticos tende a levar vantagem. Essa identificação poderá ser decisiva para definir quem chegará ao segundo turno.

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