Babá Pereira, candidato a vice-governador, na redação do Jornal de Fato
Por César Santos / Jornal de Fato
Candidato a vice-governador na chapa de Álvaro Dias (PL), Babá Pereira (PL) reforça a ideia de que a campanha no Rio Grande do Norte será polarizada entre a direita e a esquerda, e o candidato que não tem posição firmada irá sobrar na disputa.
Ele tem a convicção que Álvaro, que apoia Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil, e Cadu, que apoia o presidente Lula (PT), passarão para o 2º turno das eleições. Allyson Bezerra (União Brasil), que optou por não ter posição na eleição nacional, acabará sobrando, na opinião de Babá.
Prefeito em diferentes ocasiões no município de São Tomé e ex-presidente da Federação dos Municípios do RN (FEMURN), Anteomar Pereira da Silva, o Babá, é um político de vasta experiência e que tem uma relação muita próxima com prefeitos e prefeitas de todas as regiões do Estado. Essa condição teve peso importante na sua escolha para vice na chapa de Álvaro Dias.
Nesta sexta-feira, 7, na sede do Jornal de Fato, Babá tomou o “Cafezinho com César Santos”, quando fez projeções da disputa eleitoral no Rio Grande do Norte. Confira:

A sua agenda em Mossoró, neste fim de semana, está dentro de uma estratégia de montagem de uma estrutura de campanha no segundo maior colégio eleitoral do Estado?
Sim, também. Além de Mossoró, estamos visitando algumas cidades do entorno para termos uma base sólida, um ponto focal e uma estrutura de lideranças nesses municípios. Reconhecemos a importância da região liderada por Mossoró e vamos fazer a campanha considerando essa relevância.
Um dos concorrentes de sua chapa, Allyson Bezerra, tem em Mossoró sua principal base política e eleitoral, tendo sido reeleito prefeito em 2024 com 78,02% dos votos. Como a campanha de Álvaro/Babá pretende fazer esse contraponto em um colégio eleitoral tão importante para o Estado?
Nós sabemos da importância de Mossoró para uma campanha estadual e também do potencial do ex-prefeito aqui. Temos um grupo muito forte na cidade. Temos, por exemplo, o cabo Deyvison, que tem se destacado muito e é nosso candidato a deputado federal. Temos Jorge do Rosário, presidente local do PL e candidato a deputado estadual. Ele tem um potencial muito grande em Mossoró e região. Temos a ex-prefeita, ex-senadora e ex-governadora Rosalba Ciarlini, que também está integrada ao nosso projeto político. Temos ainda o ex-vereador Zé Peixeiro, que também é candidato a deputado federal; o Dr. Daniel, o Dr. Eider, os vereadores Jailson Nogueira, Mazinho e Wiginis, além de várias outras lideranças do nosso grupo político. Temos vereadores do PL e vereadores de outros partidos que também estão no nosso projeto. Enfim, temos um grupo forte aqui, estamos fortalecidos e não tenho dúvidas de que teremos também uma grande votação em Mossoró.

Há uma aposta tanto da campanha de Álvaro Dias quanto da de Cadu Xavier de que a polarização da disputa nacional terá influência direta na eleição estadual. Álvaro, inclusive, em entrevistas, chega a afirmar que ele e Cadu irão para o segundo turno. Essa também é a sua percepção? E em que se baseia a crença de que essa polarização poderá decidir a campanha no Rio Grande do Norte?
Nós temos essa percepção porque estamos analisando as pesquisas internas que temos. Nosso marqueteiro, Alexandre Macedo, tem estudado essas pesquisas, inclusive as qualitativas, que demonstram que essa polarização deverá acontecer, assim como ocorreu em Natal, na eleição municipal de 2024. Naquele momento, o candidato que iniciou na frente, ex-prefeito Carlos Eduardo, estava no centro, não estava nem do lado direito nem do lado esquerdo. Depois, quando a campanha começou, veio a polarização entre Paulinho Freire, candidato apoiado pela direita no Estado, e Natália Bonavides, candidata apoiada pela esquerda e pelo grupo do PT. Os dois terminaram chegando ao segundo turno e Paulinho foi eleito. Hoje, temos muito claro o candidato que apoia Flávio Bolsonaro, que é Álvaro Dias, nosso candidato a governador, e o candidato de Lula, do PT, que é Cadu Xavier. Então, por tudo isso e pelas pesquisas que temos, cujos dados estamos cruzando e analisando, entendemos que também haverá um segundo turno polarizado entre Álvaro Dias e Cadu.

Quando o senhor foi anunciado como vice na chapa de Álvaro Dias, ressaltou-se muito a interlocução que mantém com os prefeitos do Rio Grande do Norte a partir de sua gestão como presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn). Com base nessa experiência, qual a importância que o senhor entende que os prefeitos terão nas eleições deste ano?
Não só os prefeitos, mas as lideranças municipais terão um papel fundamental nesta eleição porque, nas cidades, principalmente no interior e nos municípios menores, um líder político, seja ele prefeito, ex-prefeito, vice-prefeito ou vereador, exerce uma influência muito forte sobre o seu eleitorado, sob sua liderança. Então, não tenho dúvida de que, nesta eleição, mais uma vez, o líder municipal terá um papel fundamental. Seja prefeito, ex-prefeito, vereador, presidente de Câmara Municipal ou vice-prefeito, enfim, o líder municipal mais uma vez será muito decisivo nesta eleição para o governo do Estado.

Em caso de vitória e, consequentemente, de um governo de Álvaro e Babá, como o senhor entende que será a relação político-administrativa do Estado com os municípios?
Tenho conversado muito com Álvaro Dias. Ele foi prefeito de Natal e sabe da importância do fortalecimento dos municípios do nosso Estado. Hoje, os municípios sofrem muito, principalmente com os repasses constitucionais, que são de direito das prefeituras e não estão ocorrendo como deveriam. Muitos estão acontecendo com muito atraso, o que acaba prejudicando o planejamento dos municípios e atrapalhando a vida das pessoas que moram em cada cidade, em cada município do nosso Estado. Então, além de corrigirmos isso, não vamos mais deixar que ocorram esses atrasos. Também precisamos, urgentemente, fazer parcerias e convênios com os municípios, porque sabemos que é nos municípios que as pessoas moram e vivem. Quando fortalecemos os municípios, fortalecemos a saúde e a educação e, consequentemente, as pessoas que estão morando lá na ponta. Os municípios do Estado também clamam muito por segurança. Vemos as facções hoje em todas as cidades do Estado. Antigamente, elas estavam apenas nas cidades maiores; hoje, estão infiltradas em todos os municípios, do menor ao maior. Então, é importante que os municípios tenham essa condição e essa parceria com o governo do Estado para fortalecer e melhorar a vida das pessoas que moram em cada município do nosso Estado.
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