Pesquisas eleitorais procuram saber sobre a intenção de voto do eleitor
Redação do Jornal de Fato
A pesquisa de intenção de votos não determina, mas pode influenciar, como qualquer outra fonte de informação, o resultado de uma disputa eleitoral. Em 2018, quando as pesquisas foram divulgadas em profusão, o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro afirmou que elas desempenhariam papel importante na decisão do eleitor.
No ponto de vista de Monteiro, existe tanto o voto útil – quando o eleitor quer ajudar alguém que tem mais chance – quanto o voto de veto, quando o eleitor quer fazer com que um candidato específico perca. A pesquisa, supostamente, ajudaria a esse eleitor direcionar o seu voto.
No entanto, nas últimas eleições, a proliferação de pesquisas, a maioria registrada por institutos desconhecidos ou de pouca credibilidade, afetou a importância desse instrumento para a campanha eleitoral. Cada vez mais o eleitor tem acreditado cada vez menos.
O Rio Grande do Norte oferece um recorte desse processo de desgaste das pesquisas. Este ano, o estado já teve 81 pesquisas de intenção de votos produzidas, colocando-se como o terceiro estado do país com mais pesquisas eleitorais em 2026, ficando atrás apenas de Piauí (128) e Goiás (115). Chama a atenção é que o RN superou estados mais populosos e com mais eleitores como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Esse “fenômeno” já colocou R$ 2.121 milhões nos cofres dos 23 institutos que realizaram levantamento sobre a disputa pelo Governo do Estado, Senado e Câmara dos Deputados. Na lista aparecem institutos de renome nacional, como a Quaest, mas também outras empresas desconhecidas que surgiram exatamente no período eleitoral.
Outro ponto que chama a atenção é que a maioria das 81 pesquisas aparecem nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como contratadas pelos próprios institutos. A divulgação, por sua vez, fica a cargo de páginas eletrônicas, blogs e rede sociais. A maioria sem o devido crédito da opinião pública.
O que mais chama a atenção é o conflito dos números. Os três principais candidatos a governador do RN já apareceram liderando numa pesquisa, em segundo lugar na sondagem de outro instituto e na terceira posição no levantamento de outra empresa. Os números confundem a cabeça do eleitor, mas revelam uma estratégia dos candidatos, que usam a pesquisa favorável para potencializar o sentimento de vitória e, assim, empolgar o eleitor, a militância e atrair os chamados “investidores” de campanha.
Confira os institutos que divulgaram pesquisas no RN em 2026
- Affare Institute
- AgoraSei Pesquisa
- AtlasIntel
- Consult Pesquisa
- Data Capital Pesquisas e Consultoria
- Data Plus Pesquisa e Consultoria
- Datavero Instituto de Pesquisas
- Exatus Consultoria e Pesquisa
- Indice Inteligência
- INSPEE – Instituto Potiguar de Pesquisas Estatísticas
- Instituto DataSensus
- Instituto Ranking Pesquisa
- Instituto Seta de Pesquisa
- Ipsensus Pesquisas
- Item Pesquisas Técnicas
- Media – Inteligência em Pesquisa
- Metadata
- Parla Mentors Consultoria
- Perfil Pesquisas Técnicas
- Qualitta Empreendimentos
- Quaest
- TS2 Soluções
- Veritá
Número de pesquisas por unidade federativa
1 - Piauí: 128
2 - Goiás: 115
3 - Rio Grande do Norte: 81
4 - Paraíba: 72
5 - Sergipe: 65
6 - São Paulo: 58
7 - Pernambuco: 57
8 - Maranhão: 46
9 - Pará: 45
10 - Paraná: 43
11 - Rio de Janeiro: 42
12 - Amazonas: 39
13 - Distrito Federal: 39
14 - Tocantins: 39
15 - Minas Gerais: 34
16 - Ceará: 33
17 - Mato Grosso: 33
18 Mato Grosso do Sul: 30
19 - Bahia: 28
20 - Espírito Santo: 28
21 - Alagoas: 27
22 - Acre: 25
23 - Rio Grande do Sul: 25
24 - Rondônia: 24
25 - Amapá: 22
26 - Santa Catarina: 19
27 - Roraima: 9
(*) Fonte: saibamais.jor.br
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