Candidatos abrem a carteira para doar para a própria campanha, mesmo com fundo partidário e eleitora
Candidatos que concorrem a algum mandato este ano já tiraram R$ 96 milhões do próprio bolso para financiar suas campanhas eleitorais. O valor foi distribuído entre 3.996 candidaturas e inclui dinheiro colocado por titulares, vices e suplentes, segundo levantamento do Congresso em Foco com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora expressivo, o autofinanciamento representa apenas 1,7% dos R$ 5,71 bilhões arrecadados até o momento.
Os recursos próprios foram registrados em 7.805 lançamentos.
O maior aporte individual foi feito por Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina, que destinou R$ 1 milhão à própria campanha. Na sequência aparecem o candidato à Presidência Wilson Grassi (Democrata), com R$ 760 mil, e Edvaldo Pereira de Brito (PSD-BA), primeiro suplente de Jaques Wagner (PT-BA), com R$ 533 mil.
As maiores autodoações
O ranking identifica quem efetivamente colocou o dinheiro. Nas candidaturas majoritárias, recursos de vices e suplentes são incorporados à prestação de contas do titular da chapa. Sem o cruzamento das transações, esses valores podem ser atribuídos indevidamente ao cabeça de chapa. A sistemática está prevista nas regras de prestação de contas do TSE.
Os dez maiores financiadores colocaram R$ 5,13 milhões, equivalentes a 5,3% de todo o autofinanciamento. Os outros R$ 90,95 milhões estão distribuídos entre os demais integrantes das candidaturas, o que mostra que os maiores aportes representam uma parcela limitada do total.
Metade dos dez primeiros colocados disputa governos estaduais. O grupo também reúne dois candidatos à Presidência, dois suplentes de senador e um concorrente a deputado federal.
85% das autodoações para disputas proporcionais
As candidaturas a deputado estadual e federal somam R$ 81,74 milhões em recursos próprios, o equivalente a 85,1% do total. Desse valor, R$ 53,99 milhões foram destinados às disputas pelas assembleias e R$ 27,75 milhões à corrida pela Câmara dos Deputados.
Fora das eleições proporcionais, as campanhas ao Senado registram o maior volume de recursos próprios, com R$ 6,42 milhões. As candidaturas a governador somam R$ 4,92 milhões; as de deputado distrital, R$ 1,88 milhão; e as presidenciais, R$ 1,12 milhão.
PL lidera entre os partidos
Considerado o partido do titular da candidatura beneficiada, o PL lidera, com R$ 11,93 milhões. PSD, com R$ 10,75 milhões, e MDB, com R$ 10,04 milhões, aparecem na sequência. As três legendas concentram 34,1% do total.
Minas Gerais ocupa a primeira posição em autodoação entre os Estados, com R$ 8,73 milhões. São Paulo soma R$ 7,81 milhões, e Goiás, R$ 6,56 milhões. Juntos, os três Estados concentram R$ 23,10 milhões, quase um quarto de todo o autofinanciamento registrado no país.
Metodologia
O levantamento considerou os arquivos de prestação de contas e de candidaturas do TSE extraídos em 21 de setembro, às 4h29. As bases são atualizadas continuamente, e os valores podem mudar com novos lançamentos ou retificações.
Fonte: Congresso em Foco
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