Terça-Feira, 06 de outubro de 2026

Postado às 11h30 | 06 out 2026 | redação TRE-RN cassa o mandato do vereador Cabo Deyvison a pedido do MDB de Walter Alves

A ação contra Cabo Deyvison foi movida pelo MDB, após o vereador deixar o partido e se filiar ao PL. Os advogados do MDB alegaram infidelidade partidária. Deyvison deixou o partido após Walter Alves se aliar ao ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra

Crédito da foto: Reprodução Cabo Deyvison durante a campanha eleitoral deste ano

Da Redação do Jornal de Fato

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) decretou a perda do mandato de vereador de Mossoró do Cabo Deyvison. O julgamento foi concluído na sessão desta terça-feira, 6, e a decisão da Corte Eleitoral foi à unanimidade, por 7 a 0. Com isso, a Câmara Municipal deve empossar o primeiro suplente de vereador Yan Granjeiro.

A ação contra Cabo Deyvison foi movida pelo MDB, após o vereador deixar o partido e se filiar ao PL. Os advogados do MDB alegaram infidelidade partidária, uma vez que o partido não havia autorizado a sua desfiliação. Na tramitação do processo, os advogados de defesa afirmaram que o vereador se viu obrigado a se desfiliar do MDB depois que o partido se aliou ao ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), de quem fazia oposição.

Cabo Deyvison foi eleito pelo MDB em 2024, com 1.766 votos (1,21%). Naquele momento, o partido fazia oposição ao prefeito reeleito Allyson Bezerra. Com mandato na Câmara, Deyvison seguiu fazendo oposição, mantendo a coerência de sua atuação política.

No início de 2026, o MDB se transferiu da oposição para apoiar a gestão municipal, dentro do processo de alinhamento político do presidente estadual da sigla, vice-governador Walter Alves, com Allyson, atual candidato a governador. Deyvison alegou que não tinha condições política e ideológica de apoiar Allyson e pediu desfiliação, mas o MDB negou.

O vereador fez o mesmo pedido à Justiça Eleitoral, alegando justa causa para trocar de partido. Como seria candidato a deputado federal nas eleições deste ano, Deyvison se filiou ao PL antes da Justiça autorizar a sua desfiliação do MDB, justamente porque tinha prazo de filiação estabelecido pela legislação eleitoral. A partir daí, a sigla liderada por Walter Alves entrou com ação na Justiça pedindo a cassação do mandato por infidelidade partidária.

 

Guerra política

Quando foi notificado sobre a ação do MDB, Cabo Deyvison afirmou que estava sendo perseguido por Allyson Bezerra. Segundo ele, o ex-prefeito de Mossoró usou Walter Alves para cassar o seu mandato na Justiça. Allyson nega e Walter diz que a ação foi promovida pelo diretório nacional do MDB.

Cabo Deyvison seguiu a diante com a sua candidatura a deputado federal e surpreendeu nas urnas, recebendo mais de 100 mil votos, sendo mais de 54 mil só em Mossoró. Ele não se elegeu, ficou na primeira suplência do PL, mas se consolidou como uma liderança nas periferias de Mossoró e, possivelmente, um nome forte à sucessão municipal de 2028.

 

Justiça decreta prisão de supostos mandantes do atentado contra Deyvison

A Justiça do Rio Grande do Norte decretou a prisão de supostos mandantes do atentando contra o vereador de Mossoró, Cabo Deyvison (PL), fato ocorrido em 15 de junho deste ano. Os acusados estão foragidos e não tiveram a identidade divulgada pela polícia. Trata-se de uma pessoa do Ceará e outra do Rio Grande do Norte.

O ataque ao Cabo Deyvison ocorreu quando ele fazia uma live em frente à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Alto de São Manoel, zona leste da cidade. O vereador denunciava problemas na unidade de saúde que vinha afetando a população. Cabo Deyvison foi atingido a tiros nas pernas, sendo socorrido às pressas para o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). O seu assessor e amigo, Alyson Diego, foi atingido com tiro na nuca e morreu no local.

Há poucos dias, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte concluiu a investigação sobre o atentando. As investigações apontaram que o crime foi planejado, teve as tarefas divididas entre os envolvidos e foi acompanhado por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Missão”.

Seis suspeitos foram indiciados, sendo três apontados pela Polícia Civil como executores do ataque, dois como responsáveis pela coordenação e um por participação no crime.

A investigação também identificou um sétimo suspeito, conhecido como “União”, que seria ligado à coordenação do ataque. A identidade dele ainda não foi confirmada, e a Polícia Civil continua investigando o caso.

A Polícia Civil chegou à conclusão de que o ataque estaria relacionado à atuação do Cabo Deyvison contra organizações criminosas que atuam nas periferias de Mossoró. O vereador se notabilizou no enfrentamento ao crime e, também, com forte atuação contra possíveis atos de corrupção na esfera pública. O seu mandato apresentou várias denúncias de supostas irregularidades no âmbito da Prefeitura de Mossoró.

O caso

Na noite de dia 15 de junho, em frente à UPA do Alto de São Manoel, Cabo Deyvison fazia uma transmissão ao vivo para denunciar o descaso com a saúde pública de Mossoró. Naquele momento, três homens armados chegaram em um Toyota Corolla preto e atiraram. O vereador foi atingido nas pernas e sobreviveu. Ele foi socorrido ainda na UPA e depois transferido para o Hospital Regional Tarcísio Maia. Seu assessor e amigo, Alyson Diego, foi atingido com tiro na nuca e morreu no local. A investigação reuniu imagens de câmeras de segurança, depoimentos, reconhecimentos, impressões digitais encontradas em veículos, perícias balísticas, armas e munições apreendidas, além de dados de celulares e mensagens atribuídas aos investigados.

 

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