Sexta-Feira, 06 de novembro de 2026

Postado às 16h15 | 06 nov 2026 | redação Aliados de Rogério Marinho e Tereza Cristina tentam unificar candidatura no Senado

Acordo discutido entre Rogério e Tereza para evitar uma divisão da oposição na disputa pela presidência do Senado pode incluir um pacto para que ambos sejam os nomes de consenso do mesmo campo político paras as próximas duas eleições da Mesa

Crédito da foto: Ton Molina / Agência Senado Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) conversam no plenário do Senado

Por  Luísa Marzullo e  Letícia Pille — Globo

O acordo discutido entre os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) para evitar uma divisão da oposição na disputa pela presidência do Senado pode incluir um pacto para que ambos sejam os nomes de consenso do mesmo campo político paras as próximas duas eleições da Mesa. Um deles seria o postulante em 2027 e o outro em 2029.

A alternativa, defendida por aliados dos dois parlamentares, permitiria a retirada da candidatura de um deles até fevereiro, de olho na formação de uma frente à direita para enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP).

Embora ambos ainda não tenham debatido quem teria a preferência em 2027, Marinho e Tereza já acertaram que não concorrerão um contra o outro.  

Uma das defensoras da proposta é a deputada e senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), que sugere reservar o segundo biênio à ex-ministra da Agricultura. A senadora do PP tem o objetivo de se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.

— Tenho confiança que um acordo será feito entre pessoas de boa vontade e que querem o bem do país — afirmou.

Apesar de ambos desejarem disputar a presidência já em fevereiro, interlocutores apontam uma vantagem para quem assumir o segundo biênio: a possibilidade de permanecer no cargo por quatro anos. Isso porque a Constituição proíbe a reeleição para o mesmo posto na Mesa Diretora dentro de uma mesma legislatura.

Assim, quem for eleito em 2027 não poderá se reeleger em 2029, mas quem assumir mais tarde poderá disputar a recondução em 2031, quando terá início uma nova legislatura.

Se for adiante, o entendimento político, porém, ainda pode ser impactado por outras variáveis. Alcolumbre deve ter o apoio do governo e não há como prever a acomodação de outras forças políticas por um período de quatro anos.

Marinho e Tereza mantêm suas candidaturas e pretendem comparar as respectivas contagens de votos em janeiro para definir quem terá melhores condições de enfrentar Alcolumbre. O senador do PL oficializou sua candidatura nesta semana e busca ampliar a base para além dos 29 integrantes que o partido terá a partir de fevereiro. Com os três senadores do Novo, o grupo soma 32 cadeiras, abaixo dos 41 votos necessários para vencer a eleição.

Como parte dessa estratégia, Marinho pretende convidar o senador Efraim Filho (PL-PB) para coordenar sua campanha. Embora integre o mesmo partido, Efraim mantém uma relação próxima com Alcolumbre e poderia ajudar a atrair parlamentares que ainda não aderiram à candidatura do PL.

Tereza, por sua vez, aposta no trânsito entre diferentes partidos para conquistar votos no Centrão, inclusive entre integrantes de legendas cujas direções já anunciaram apoio a Alcolumbre. A ex-ministra conta com o apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima de Michelle Bolsonaro, que vê nela maior capacidade de atrair apoios fora da oposição.

Enquanto a oposição busca um entendimento, Alcolumbre tenta atrair dissidentes da direita com a oferta de relatorias e espaços de influência no Senado. O atual presidente da Casa conta com o apoio das direções da federação União-PP, do MDB e do PSD, além da tendência de adesão do PT.

Um dos acenos foi a indicação de Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. Antes, o posto havia sido oferecido a Tereza, que recusou o convite para evitar que a aceitação fosse interpretada como um acordo com Alcolumbre.

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