PoR César Santos - JORNAL DE FATO
O apoio do prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) ao ministro das Comunicações Fábio Faria, que disputará o Senado em 2022, não surpreende nem os menos informados. Essa aliança foi formada em 2020, quando Fábio e o seu pai, ex-governador Robinson Faria (PSD), apoiaram e ajudaram com estrutura a campanha vitoriosa de Allyson para a Prefeitura de Mossoró.
Os Faria só não podiam aparecer. Fábio e Robinson amargavam enorme rejeição popular. Se eles aparecessem em Mossoró, certamente puxariam para baixo a campanha de Allyson. O ex-governador até chegou a gravar o vídeo em apoio a Allyson, mas o então candidato negou de imediato, para se livrar do peso.
De fato, ninguém queria a companhia de Fábio e Robinson por conta do governo desastroso que afundou o Rio Grande do Norte. Robinson foi uma gestão muito ruim, deixando o caos na saúde, educação e segurança pública, além de atrasar quatro folhas salariais.
A reprovação foi de tal forma que Robinson recebeu apenas 11,85% dos votos em 2018, quando tentou a reeleição, e sequer passou para o segundo turno. Fábio renovou o mandato de deputado federal se arrastando, sendo o último colocado em votação entre os oito eleitos, recebendo pouco mais de 70 mil votos ou 4,37%.
Além da alta rejeição de pai e filho, o candidato Allyson esmerava o discurso de palanque no combate às oligarquias, logo, os Faria não podiam subir no seu palanque. A tática deu certo, o eleitor acreditou que Allyson era contra a velha política, quando esta estava bancando a sua campanha na surdina.
No cargo de prefeito, Allyson decide revelar a aliança com Fábio e Robinson, acreditando que a população, sempre generosa, aceitará o jogo da engabelação ou de enganação da boa-fé. Ele apoiará em 2022 a oligarquia criada por Osmundo Faria e sustentada até os dias atuais pelo filho Robinson e o neto Fábio.
Há outro absurdo na postura atual. Fábio segue para o Progressistas, partido presidido no RN pelo deputado federal Beto Rosado, adversário de Allyson Bezerra. O ministro diz que continuará fazendo oposição ao grupo de Beto, como se a ambiguidade fosse a coisa mais natural. Talvez, e provavelmente, essa aliança se sustente na aposta de que o povo aceita tudo e deixa enganar por uma peça de marketing bem feita.
Pode ser. No entanto, nunca é bom subestimar quem tem um título no bolso, mesmo que seja um inocente de boa-fé.
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