Quarta-Feira, 24 de abril de 2019

Postado às 10h30 | 05 Abr 2019 | Redação Biblioteca Municipal de Mossoró foi criada pelo prefeito Dix-sept Rosado há 71 anos

Crédito da foto: Carlos Costa/PMM Sede da Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte

A Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte completam 71 anos de fundação nesta sexta, 5 de abril. Para comemorar a data, a Secretaria Municipal de Cultura vai realizar uma programação especial, na Biblioteca, a partir das 8h.

Graça Henriques, diretora da Biblioteca, explicou que a partir das 8h será iniciada uma exposição cultural. “Vamos abrir para visitação das pessoas, mas também para que a população em geral possa expor suas artes”, disse.

A partir das 17h a programação vai comemorar também os 70 anos da Coleção Mossoroense e os 24 anos da Fundação Vingt-un Rosado.

“É uma programação que visa valorizar a cultura local, levar às pessoas valores culturais que possam ser explorados e também destacar que aqui temos a Coleção Mossoroense, que é uma das maiores do país”, concluiu Graça.

 

A BIBLIOTECA

A Biblioteca Pública Municipal de Mossoró foi oficialmente criada no dia 5 de abril de 1948, como cumprimento de promessa de campanha do prefeito Jerônimo Dix-sept Rosado Maia.

A ideia foi do seu irmão Vingt-un Rosado. O próprio Vingt-un fez essa afirmativa: “Convenci Dix-sept a prometer a criação de uma Biblioteca Pública Municipal, que seria oficializada através do Decreto Executivo n.º 04, apenas cinco dias depois da sua posse na Prefeitura”.

O prefeito Dix-sept Rosado nomeou uma comissão organizadora, formada por João Damasceno da Silva Oliveira, José Romualdo de Souza, José Ferreira da Silva, Rafael Bruno de Medeiros e Vingt-un Rosado, todos cidadãos comprometidos com a cultura mossoroense.

Os ofícios de comunicação da criação da Biblioteca e o pedido de registro no Instituto Nacional do Livro foram redigidos por João Damasceno.

O espaço físico foi conseguido pela Prefeitura no pavilhão térreo do Clube Ipiranga.

Em depoimento, Vingt-un fala das dificuldades iniciais para que o sonho se tornasse realidade: “Nenhum de nós, eu, Ferreira, América Rosado, tinha curso de biblioteconomia. Lemos alguns livros especializados e começamos a tarefa.

Para a formação do acervo da Biblioteca, contou-se com a colaboração dos mossoroenses.

O padre Mota, ex-prefeito e vigário de Mossoró, fez doação de 300 volumes de sua biblioteca particular. Augusto da Escóssia na época era o presidente do Ipiranga. Por solicitação da comissão, permitiu que a Biblioteca Hemetério Queiroz fosse incorporada à Biblioteca Pública.

De Natal, Dix-huit Rosado mandou várias caixas de livros arrecadados entre os amigos, de forma que na sua inauguração, a Biblioteca já contava com um acervo de 1.888 obras em 2.131 volumes.

Visando criar nos jovens o hábito da leitura, o prefeito Dix-sept Rosado inseriu na Biblioteca uma seção de estados infantis. A ideia era inédita, pelo menos no Rio Grande do Norte. E isso era só o começo. Com a Biblioteca, veio o Museu, veio o Boletim Bibliográfico e a Coleção Mossoroense, tudo como desdobramento da ideia inicial da Biblioteca.

Dix-sept não concluiu seu mandato como prefeito de Mossoró. Foi eleito governador do Estado a 6 de junho de 1950, quando já se encontrava licenciado, assumindo o governo em 31 de janeiro de 1951.

E como Governador do Estado do Rio Grande do Norte, não teve tempo de fazer mais pela cultura mossoroense. Morreu num desastre aviatório no dia 12 de junho de 1951, nas proximidades do campo de pouso de Aracaju, em Sergipe, cinco meses após a sua posse.

Deixou no entanto, como legado, a semente de um movimento cultural que permanece até os dias atuais, tendo na pessoa do professor Vingt-un Rosado, seu irmão caçula, um eterno guardião, e comandante do que se passou a chamar de “Batalha da Cultura”.

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