Por Amina Costa / Repórter do Jornal de Fato
A greve dos professores da rede municipal de ensino completa nesta sexta-feira, 21, uma semana e, além de não haver nenhuma intenção por parte da gestão de negociar o pagamento do piso dos professores, a categoria ainda está sendo alvo de ataques, que tentam descredibilizar o movimento.
Nos últimos dias, membros do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum) foram alvo de ataques, exposição e falas distorcidas por parte de vereadores e veículos de comunicação aliados à gestão. Em algumas falas, os membros do sindicato são acusados de receber sem trabalhar, enquanto, na verdade, estão cedidos à entidade.
A presidente do Sindiserpum, Eliete Vieira, informou à reportagem do JORNAL DE FATO que os ataques sofridos pelos membros do sindicato refletem um desespero da gestão e dos seus apoiadores. Ela enfatiza que, como não existem fortes argumentos para rebater os professores, acabam adotando formas desonestas para descredibilizar o movimento.
“O movimento grevista está, de fato, incomodando porque o prefeito e os seus apoiadores têm ciência que eles não respeitam os direitos dos professores. Como não têm argumentos fortes e concretos para rebater os professores grevistas, eles utilizam tentativas até desonestas para desacreditar quem lidera o movimento”, disse a presidente do Sindiserpum.
Além de ser marcada por ataques, a primeira semana de greve da categoria também demonstra o quanto os professores, mesmo angustiados e tristes com a falta de diálogo com a Prefeitura, estão prontos para a luta. A professora Francinele Rocha relata que a categoria está muito triste com essa situação. “Estou percebendo o quanto os professores estão tristes, adoecidos, angustiados, muito chateados, trabalhando doentes, mas muito prontos para a luta”, disse.
Antes mesmo de ser deflagrada a greve, o sindicato já vinha visitando algumas escolas tanto na zona urbana quanto na zona rural do município, com o objetivo de fiscalizar o ambiente escolar frequentado pelos professores e pelos alunos. Em muitas dessas visitas, foi mostrado pelo Sindiserpum que a realidade de algumas escolas é diferente do que vem sendo mostrado nas redes sociais do prefeito Allyson Bezerra.
Após o início da greve, os membros do Sindiserpum continuam visitando as escolas, com o objetivo de convocar os professores que ainda não aderiram ao movimento. Celina Gondim, diretora-financeira do sindicato, informou que nesta sexta-feira, 21, as mobilizações nas escolas vão continuar, e que na segunda-feira, 24, será realizada uma assembleia, na sede social do Sindiserpum, para traçar as estratégias do movimento da próxima semana.
Governo formaliza hoje nova proposta para os professores estaduais
Após estudo da equipe financeira do Governo do Estado durante a reunião ocorrida na última segunda-feira, 17, entre a secretária de Educação Socorro Batista, o secretário de Administração Pedro Lopes, e dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte-RN), uma nova proposta de reajuste do piso dos professores estaduais deve ser apresentada nesta sexta-feira, 21.
Durante a reunião, o Governo sugeriu implementar 4,0% em abril e 2,27% no mês de dezembro, o que foi completamente negado pela categoria, que solicita o pagamento do reajuste de forma integral. Hoje, o Governo deve formalizar uma nova proposta e a expectativa da categoria é de que ela seja diferente da apresentada na reunião de segunda-feira.
Para o Sinte-RN, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela cassação da liminar que suspendeu o reajuste do piso salarial de 2023 deu força ao movimento grevista, uma vez que extinguiu a tutela do Ministério Público nas negociações entre Sindicato e Governo.
Após a formalização da proposta do Governo, professores da rede estadual vão se reunir em assembleia na próxima segunda-feira, 24, para avaliar a greve e votar a proposta apresentada nesta sexta-feira e fazer as deliberações e os encaminhamentos necessários.
Tags: