Domingo, 24 de May de 2026

Postado às 10h45 | 24 May 2026 | redação Símbolos e signos permeiam campanhas eleitorais no Rio Grande do Norte

Crédito da foto: Ilustrativa Tamborete, Rosa, Chapéu e água: símbolos de campanhas eleitorais

Edilson Damasceno  / Jornal de Fato

Fazer o eleitor assimilar alguma ideia, projeto ou campanha. É com essa intenção que surge alguma cor, símbolos, músicas e adereços. Tudo para que o objeto da apresentação chame de seu um nome que é apresentado durante as convenções partidárias. O Rio Grande do Norte, por exemplo, já vivenciou uso de figuras de linguagens capazes de atrair multidões e que foram essenciais para a assimilação de que aquele nome seria vitorioso.

Quem nunca ouviu falar do uso do tamborete, por Geraldo Melo? Ou da rosa, com Rosalba Ciarlini? Ou das iniciais JA, por José Agripino? Alguém lembra da expressão “governador das águas”, massificada por Garibaldi Filho? E a frase “mulher de palavra”, por Wilma de Faria? Estes são apenas alguns exemplos que remetem, necessariamente, ao uso de símbolos que indicam, na leitura que vem das Letras – enquanto ciência do conhecimento que trabalha justamente a compreensão que vem da Semiótica (leitura de fatos, momentos, casos ou pessoas por meio de imagens).

As últimas campanhas eleitorais no Rio Grande do Norte, seja no âmbito estadual ou nos municípios, estão recheadas de simbologias. E o uso de cores deixou de ser focalizado em duas (vermelho e verde) para outras possibilidades, como o rosa, azul, laranja e branca.

Além disso, as transformações da sociedade, decorrentes de valoração moral mais própria do tempo contemporâneo às campanhas eleitorais, mostram claramente uma espécie de atualização de conceitos que são utilizados pelo marketing político e que acabam moldando candidaturas com possibilidades de vitória.

A cada dois anos o eleitor potiguar é bombardeado com novos elementos. Ao marketing cabe o bom uso da Semiótica para embasar a Hermenêutica – arte de interpretar, seja símbolos, signos, imagens ou quaisquer elementos inseridos no contexto da campanha partidária e que sejam direcionados à assimilação do eleitor sobre quem seria o beneficiário de tal artifício. Obviamente que tudo é feito para se ter ligação dos símbolos com os candidato ou candidata.

A professora Milene Lima, mestra em Língua Portuguesa, com foco na Análise de Discurso Crítica, enfatiza que existe uma função, dentre outras, estabelecida pela Linguagem.

A linguagem, seja em qual forma se apresente (verbal, não verbal ou multimodal, sendo a última a que tem possibilidade de unir texto, vídeo, som, gestos, dentre outros artifícios), tão necessária à comunicação humana, cumpre diferentes funções para além do seu uso primário.  Para a professora, ao se estabelecer contato com algo a mais se evidencia: “dizemos que, por meio dela (linguagem), não só estabelecemos contato, interagimos com o mundo, expressamos nossos pontos de vista e, entre tantas outras funções, também estabelecemos relações de poder”, afirmou.

E essa relação de poder faz parte do processo eleitoral. Em uma campanha, a relação de poder começa a ser estabelecida, do candidato com o eleitor, justamente pelo uso de símbolos. E o uso dessa ferramenta não é barato. “Numa análise simples, no entanto necessária, a linguagem é, talvez, a ferramenta mais explorada no meio político - além, é claro, dos muitos recursos financeiros”, comenta Milene Lima.

A professora ainda analisa que eleições, candidatos e candidatas, e até campanhas inteiras (em se tratando de coligações proporcionais), buscam o destaque e se apropriam de símbolos que possuem carga semântica (peso de determinada expressão) e que tem a capacidade de comover, conquistar e até levar a certo fanatismo.

 

‘São símbolos que geram noção de pertencimento’, diz professora

A política mossoroense, a exemplo do que ocorre nos demais municípios brasileiros, está recheada de analogias que remetem, necessariamente à análise expressa pela professora Milene Lima: poder.

A docente vê que a disputa eleitoral da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte oferece material semiótico que possibilitaria conteúdo para diversos estudos. “Afinal, quem não se lembra da força que tinha a rosa vermelha, estampada até mesmo nos pisos das praças e com ela a ideia do poder feminino de liderança somado ao conceito de gentileza e vitalidade, qualidades comumente atribuídas a uma flor, a uma doce rosa.”

Se for feita a análise por esse caminho, teve-se, na campanha eleitoral de 2020 de Mossoró, a disputa do rosa com o azul. A primeira cor simboliza a força da mulher e a segunda, a do homem. Prevaleceu a segunda opção naquele ano.

Milene Lima também percebe que essa leitura semiótica apresenta concepções que carregavam persuasão e sentimento de acolhida, as quais levaram multidões às ruas de Mossoró, para cantar, aplaudir e de maneira vibrante, intensa, vermelha e apaixonada exaltar "a rosa do povo."

A professora acrescenta que, não tão distante desse cenário onde a rosa se destacava, Mossoró passou a ter outro símbolo que representa a cultura sertaneja, nordestina, raiz e que, segundo ela, estrategicamente vem sendo associada à ideia de “menino do sertão”, do povo.

“São símbolos que geram noção de pertencimento e com ela, novamente, a paixão, agora incrementada com os muitos recursos que as redes sociais oferecem - trazendo a concepção de identificação, de uma inicial negação ao coronelismo, de uma narrativa que prega resistência, a qual também é um símbolo do povo mossoroense”, disse.

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