Candidato a governador no primeiro turno, com mais de 530 mil votos, Álvaro Dias defende neutralidade. Ele fez crítica a Allyson Bezerra, afirmando que o ex-prefeito de Mossoró foi "péssimo gestor", e disse que não tem como apoiar Cadu de Lula
Álvaro Dias durante movimentação do PL
Da Redação do Jornal de Fato
O candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil), que passou o 1º turno sem assumir uma posição em relação à disputa presidencial, agora corre atrás do apoio do PL para fazer dobradinha no 2º turno com Flávio Bolsonaro no Rio Grande do Norte para igualar a disputa contra o candidato Cadu (PT) que faz campanha com o presidente Lula (PT).
Allyson está se olho nos 530.580 votos obtidos por Álvaro Dias, candidato a governador pelo PL no 1º turno. Isso representa 26,71% dos votos válidos, o que se apresenta importante numa disputa acirrada, uma vez que Allyson e Cadu terminaram a primeira fase da campanha com a diferença de pouco mais de 15 mil votos (36,94% contra 36,16% dos votos válidos).
Conquistar o apoio do PL não é uma tarefa fácil para Allyson. Há resistências importantes dentro do partido. Álvaro Dias, inclusive, já se manifestou contra o apoio a Allyson, mas disse que a decisão será do partido, que se reúne hoje em Brasília para tomar a decisão em relação ao Rio Grande do Norte.
Antes de embarcar para a capital federal, Álvaro confirmou que defende uma posição de neutralidade no 2º turno e justificou:
“Não concordo com a candidatura de Allyson. Na minha avaliação, foi um péssimo gestor em Mossoró. Destruiu o (estádio) Nogueirão, deixou 300 famílias na comunidade Belo Monte sem casas e há bairros esquecidos pela gestão, com ruas esburacadas.”
Em relação ao candidato do PT, ele disse que não tem como apoiar Cadu de Lula “porque temos ideias diametralmente opostas.”
Reunião
Outra resistência importante é do próprio presidente estadual do PL e líder do bolsonarismo no Rio Grande do Norte, senador Rogério Marinho. Ele carrega traumas da parceria política com Allyson encerrada em 2024. Havia um acordo para o PL indicar o vice-prefeito na segunda gestão de Allyson, mas o partido foi preterido. No ato do rompimento, Rogério classificou Allyson como um político “sem palavras” e “sem confiança”.
Allyson comprou a “briga” e “eliminou” o nome de Rogério Marinho da principal obra de sua gestão, o Complexo Viário de Mossoró, que foi construído com recursos conseguidos por Marinho quando foi ministro do Desenvolvimento na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além disso, dentro do PL existe a certeza de que Allyson trabalhou junto ao presidente estadual do MDB, vice-governador Walter Alves, para cassar o mandato do vereador Cabo Deyvison, que é o nome de maior expressão do PL de Mossoró. O mandato do vereador foi cassado nesta terça-feira, 6, em sessão do Tribunal Regional Eleitoral (leia matéria na página 4).
Deyvison, que recebeu mais de 100 mil votos para deputado federal nas eleições de domingo, 4, sendo mais de 54 mil votos só em Mossoró, já disse que não apoia Allyson Bezerra. O senador Styvenson Valentim (Podemos), que foi reeleito no palanque do PL, recebendo mais de 1 milhão de votos, também já afirmou que não há qualquer chance de apoiar Allyson.
O grupo que sustentou a candidatura de Álvaro Dias no 1º turno se reunirá hoje em Brasília para decidir a posição sobre o 2º turno. Devem participar da reunião no gabinete do senador Rogério Marinho, além de Álvaro Dias, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, o senador Styvenson Valentim, o ex-candidato a vice-governador Babá Pereira e o ex-candidato a senador Coronel Hélio.
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